PROGRAMAÇÃO

Vila na Copa e na Cozinha

O VILA PREPAROU UMA PROGRAMAÇÃO ESPECIAL PARA FÃS

DO FUTEBOL, DA ARTE E DA GASTRONOMIA

 

No mês da copa do mundo, o Teatro Vila Velha vai transmitir todos os jogos num telão, além de organizar uma variada programação artística e gastronômica

 

No espírito de recriação e busca por novos usos de sua estrutura e para fortalecer ainda mais as pontes com nossa cidade, o Vila Velha planejou uma ocupação de seus espaços durante a Copa do Mundo de Futebol. O Vila na Copa e Cozinha acontecerá de 14 de junho a 15 de julho unindo esporte, culinária e diferentes expressões artísticas, numa programação vibrante e diversificada.

Todos os jogos da Copa serão transmitidos no café-teatro do local, o Cabaré dos Novos, que abrirá diariamente durante o horário de almoço, oferecendo um cardápio temático e também no happy hour, com petiscos e bebidas variados. Nos dias com jogos da seleção brasileira de futebol, o cardápio do Cabaré será temático.

A programação semanal foi dividida por temas e ações ligados tanto ao universo do esporte quanto às diversas expressões da arte.

Assim, duas terças-feiras de julho serão ocupadas pelo projeto Terças Pretas, do Bando de Teatro Olodum, companhia residente do Vila Velha. Nelas, o grupo de atores convida cantores e outros atores para apresentações ligadas ao tema de nosso projeto, além de promover uma feira para a venda de moda e utilidades, esteticamente conectadas com a cultura afro-baiana.

Nas quartas-feiras, atores, grupos e coletivos de teatro se encontram no Vila Velha para disputar a Primeira Copa Baiana de Improvisação Teatral: toda semana, quatro times de artistas improvisadores se enfrentam e disputam a Taça de Improvisação Teatral.

A cada quinta-feira, um músico veterano da cena baiana apresenta seu show e recebe um convidado no Vila Arena da Música. Programação que inclui artistas consagrados e jovens talentos de gêneros musicais diversos como forró, reggae, rock, axé-music e MPB.

Sextas e sábados são dedicados a espetáculos no Palco Principal tanto da Histórica companhia Teatro dos Novos e também de grupos convidados. Antes de cada espetáculo, atores, músicos e bailarinos, apresentam suas criações no projeto O Que Cabe Neste Palco, enquanto os espectadores desfrutam do cardápio e dos bebidas selecionadas no Cabaré dos Novos.

Os domingos do Vila serão dedicados a uma extensa programação pra toda a família, através de ocupações de grupos  do teatro e grupos e coletivos convidados durante as manhãs e tardes do evento Ocupa Copa. O roteiro de atrações inclui uma feira de produtos, jogos  e brincadeira para crianças, gastronomia, performances e música, além de almoço e transmissão dos jogos do dia, claro.

A programação definitiva das atrações e espetáculos já está quase fechada, uma parte dela será paga, a outra gratuita. Em breve a gente divulga tudo por aqui. Fique ligado

O projeto conta com o apoio da Bahiatursa (Superintendência de Fomento ao Turismo do Estado da Bahia) e do IPAC (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia), que está dando um tratamento paisagístico para deixar ainda mais bonito o Passeio Público.

 

TEMPORAL - Projeto K Cena

TEMPORAL - Projeto K Cena

Criado em 2012, o núcleo de encenadores do “K CENA – Projeto Lusófono de Teatro” é formado por Graeme Pulleyn e Paulo Miranda (Portugal), João Branco (Cabo Verde), Marcio Meirelles e Chica Carelli (Brasil), diretora que será responsável pela montagem de “Temporal”, peça escrita pelos portugueses Gabriel Gomes e Sofia Moura, pelo brasileiro Rafael Medrado e pela caboverdiana Lisa Reis, sob o título “Tempostade”.

“O texto é uma reflexão sobre a humanidade e sua relação com o tempo. Como projetamos o que virá, com base em nossas experiências, em tudo o que já passou; numa relação dinâmica entre passado, presente e futuro”, comenta o autor Rafael Medrado, acrescentado que “há um foco considerável nas impressões sobre o tempo durante nossa juventude, quando tínhamos menos experiências que na vida adulta. Essas mudanças de expectativa também são importantes para nosso argumento”, conclui. O espetáculo será apresentado nos dias 25 e 26 de Junho, 20h, na sala principal do Teatro Vila Velha.

Esta sétima edição do K Cena dá continuidade aos processos entre esses três pólos de intercâmbio; incluindo nesse novo ciclo soteropolitano participantes de todas as idades, a partir dos 17 anos. Tomando como base um tema, peça ou mote comum, experiências e referências dos grupos locais, são criadas releituras e dramaturgias muito singulares para cada país. Todas envolvendo pessoas de diferentes realidades e contextos socioculturais, mas ligadas pela língua portuguesa, quarta mais falada do mundo (por 244 milhões de pessoas da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – CPLP) formada por nove Estados-Membros: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Portugal, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

“O projeto de intercâmbio K Cena tem tudo a ver com a própria essência do teatro: o encontro de pessoas com diferentes culturas, experiências de vida e de fazer artístico, que se reúnem pra refletir sobre o mundo neste momento. Claro que toda montagem é uma aventura, no sentido que nunca sabemos onde iremos chegar, mas para mim tem sido incrível”, avalia a diretora Chica Carelli.

 

O Teatro Vila Velha tem o apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia.

Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA) – Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Artística e Cultural e Editais Setoriais.

Vila Arena da Música // Vila na Copa e na Cozinha

Vila Arena da Música

Todas as quintas-feiras

 

Forró da Gota convida Bule-Bule

A banda Forró da Gota, que mistura sonoridades contemporâneas com a tradição dos ritmos regionais, recebe no palco do Vila o  repentista, cordelista e forrozeiro Bule-Bule, mestre das tradicionais sonoridades nordestinas.

R$ 30/ R$15

Dia 21 de junho – 20h – Palco Principal

Forró

 

Skanibais convida Banda Limusine

A banda SKAnibais é famosa por transformar clássicos de ritmos como samba, jazz e rock, em versões dançantes do ritmo jamaicano Ska. No show, essas releituras encontram a performance sonora da Banda Limusine.

R$ 30/ R$15

Dia 28 de junho – 20h – Palco Principal    

Baile

 

 

Danilo Medauar convida Bruna Barreto

cantor Danilo Medauar apresenta seu novo show Todo Músculo que Sente, com releituras das canções de Cazuza e conta com a participação especialíssima da cantora Bruna Barreto.

R$ 30/ R$15

Dia 05 de julho – 20h – Palco Principal

Rock

 

 

Funfun Dúdú convida Sarajane

O grupo Funfun Dúdú abre seu palco de experimentações entre o jazz, pagode e arrocha, para clássicos da axé music na voz e performance da cantora Sarajane.

 

 Dia 12 de julho – 20h – Palco Principal

R$ 30/ R$15

Baianidade

 

Espelho para Cegos // Vila na Copa e na Cozinha

Espaelho par Cegos volta em duas únicas apresentações dentro da Programação do "Vila na Copa e na Cozinha"

Na interseção entre a linguagem audiovisual, teatral e a música original de João Meirelles, a segunda edição de “Espelho para Cegos -2ª edição” (montado anteriormente pela universidade Livre de teatro vila velha em 2014) atualiza a investigação sobre os mecanismos de um sistema que faz lavagem cerebral, manipula, silencia, corrói, isola, devora e tira vidas para combater quaisquer ameaças à sua perpetuação. “O que está no palco é o que vivemos: a cidade vazia, fechada em círculos, pessoas fugindo para outros lugares. Um sistema de forças em decomposição, que leva ao marasmo indolente e à permanência de tudo como está”, reflete o diretor Márcio Meirelles. “Espelho para Cegos” foi o texto escolhido pelo Vila para marcar o etorno do histórico grupo Teatro dos Novos, que sempre se caracterizou por montagens de forte cunho político.

“A originalidade da montagem e a coragem de propor outra coisa, de propor um lado interessante que provoque a imaginação do espectador, que o faz embarcar na história... Porque nessa montagem o ator se sente quase ator, se sente implicado na história, ele é testemunha. Concordo plenamente com a abordagem de Márcio e acredito, como ele, que o teatro pode ser um meio de educação popular, uma terapia social, uma forma de entender o mundo, a complexidade da alma humana, as contradições da sociedade e também a nossa personalidade", analisa o dramaturgo Matéi Visniec.
 

29 e 30 de Junho
PALCO PRINCIPAL
20H
R$ 30/ R$15
Classificação etária: 18 anos
Lugares: 300
Estacionamento: sim

Primeira Copa Baiana de Improvisação Teatral // Vila na Copa e na Cozinha

Primeira Copa Baiana de Improvisação Teatral

 

Todas as quartas-feiras atores se encontram no Teatro Vila Velha para disputar a Primeira Copa Baiana de Improvisação Teatral e a cada semana dois times de artistas improvisadores se enfrentam e disputam a Taça Baiana de Improvisação Teatral.  E A Nossa seleção é chapa quente: Aicha Marques, Andréa Nunes, Daniel Farias, Evelin Buchegger, Igor Epifânio, Luiza Senna, Maurício Oliveira, Talis Castro. Dirigindo e julgando os improvisos, as feras Celso Jr, Daniela Chávez e Daniel Becker.

 

Dia 20 de junho – 20h – Palco Principal

Primeira eliminatória

R$ 30/R$ 15

 

Dias 27 de junho – 20h – Palco Principal

Segunda eliminatória

R$ 30/R$ 15

 

 

Dia 04 de julho – 20h – Palco Principal

Semi-final

R$ 30/R$ 15

 

 

Dia 11 de julho – 20h – Palco Principal

Grande final da Primeira Copa Baiana de Improvisação Teatral

 

R$ 30/R$ 15

 

 

En(cruz)ilhada // Vila na Copa e na Cozinha

En(cruz)ilhada está de volta em duas unicas apresentações para a programação do "Vila na Copa e na Cozinha"

En(cruz)ihada é uma obra de arte complexa. Sem massagem, a peça monta um painel com diversas formas de morte do povo preto. O enfoque não surpreende quem acompanha a carreira de Leno Sacramento, que é também ator do Bando de Teatro Olodum. Quem se acostumou a vê-lo em papéis cômicos, nesse trabalho dilacerante, conhecerá uma outra face. Honesta e impactante. Ainda mais desafiadora pelo fato de contar apenas com textos, sons e ruídos em off. São 35 minutos em que ele mixa uma série de personagens sem voz. Como um DJ talentoso que nos conduz de uma música a outra sem pausa nem ruptura rítmica, Leno nos leva de um  drama a outro sem linhas de corte.

Esse continuum exasperado só ganha uma pausa para o respiro na cena conduzida por um doce canto em iorubá, único momento de fala direta do ator. Um mergulho na memória da infância e adolescência. Numa espécie de passarela em forma de cruz, ele apresenta seus simulacros de brincadeiras de um tempo bom. Bola de gude, amarelinha, esconde-esconde, pega-pega, condução de arco com vareta, carrinho e o volante do automóvel... Não há dúvida que a peça fala de uma herança coletiva.

Um oásis no painel de aridez racial e racismo escaldante que corta na carne da plateia. A memória como reserva de humanidade. Para além da lembrança do quintal da casa e das ruas do bairro, despertou a África permanente em mim. A plateia pode ser tocada. Através da pedagogia da pedra e um fio do mel da memória, é compelida a refletir na encruza do presente e passado.

Personagens mudas em sala que reverbera diálogos e pensamentos editados por uma sonoplastia que potencializa o caos. Vozes, cochichos, sussurros, latidos, ruídos, armas engatilhadas e ameaças. Muito barulho retratando pessoas silenciadas. O que mais me agrada é não saber classificar o que assisti. Um corajoso experimento de linguagem. Afastamento da zona de conforto. Nem Dionísio nem Apolo. Nem palco nem tablado. Uma montagem encruzilhada. Uma cruz na estrada. Corpo, figurino, expressões, som, luz e público amalgamados num só tecido. Cada pessoa presente denunciada como parte integrante do nosso grande conflito racial.

A sequência final se desenvolve sobre o meu poema Prefácio da Ira, que faz um inventário de instrumentos e formas de torturas da escravidão. Lembra, com muita dor que, desde o tataravô branco colonizador até seu tataraneto, a violência racial é ininterrupta, adaptável e evolutiva. Nos traços estéticos e código ético de En(cruz)ilhada, vejo a busca de um teatro negro. A palavra “cruz” aparece incrustada na palavra “en(cruz)ilhada”. Encruzilhada, cruz, ilha, ilhada. Polissemia que reveste a peça. Diferentes experiências de vida negra em conflito.

Direção: Roquildes Júnior

Atuação: Leno Sacramento

06 e 07 de Julho
PALCO PRINCIPAL
20H
R$ 30/ R$15
Classificação etária: 12 anos
Lugares: 300
Estacionamento: sim

Balé Jovem - 4 em 1 // Vila Na Copa e na Cozinha

O Balé Jovem traz aos palcos do Vila Velha 4 apresentações dentro da Programação do "Vila na Copa e na Cozinha"

Marcado pelo profundo cunho crítico de seus espetáculos, que refletem sobre a sociedade brasileira e sobre culturas próximas à latina, o Balé Jovem de Salvador apresentará 4 coreografias: O corpo e a cidade, Eleuther, Nos acréscimos e Outras dinâmicas.

13 e 14 de Julho
PALCO PRINCIPAL
20H
R$ 20/ R$10
Classificação etária: Livre
Lugares: 300
Estacionamento: sim

Manifesto do Bando de Teatro Olodum

MANIFESTO DO BANDO DE TEATRO OLODUM

 

Nestes 28 anos de trajetória, o Bando de Teatro Olodum vem tentando sempre, de forma artística, e muitas vez ativista, travar um diálogo com a sociedade para a gente melhorar nossas feridas, o racismo, o machismo, a homofobia, a intolerância religiosa e tantas violências geradas por esses preconceitos, que ainda permanecem em nosso país. Diante do que aconteceu com o ator Leno Sacramento e com o cenotécnico Garlei Souza precisávamos nos posicionar. Esse é um posicionamento difícil, porque o debate é urgente e parece que existe uma solução fácil. E parece que existem lados.   

Na nossa percepção, os dados que vemos todos os dias e a realidade de muitos de nós em nossos bairros, nos deixam apreensivos, não somente como artistas, mas também como cidadãos. Essa carta é, sim, de pessoas que trabalham com arte, mas que também são cidadãos como todos aqui presentes.

E entendemos e percebemos na pele, no dia a dia, como a sociedade sofre toda essa violência. A relação entre a polícia e a sociedade civil está esgarçada. A Política de Segurança Pública do País falhou. O aumento constante dos assassinatos e a sensação geral de insegurança são prova disto. 

Temos a Polícia que mais mata e mais morre no mundo. Qual o nome adequado para definir isso que estamos vivemos? É guerra? É assim que devemos assumir, já que superamos em número de mortes, países declaradamente em guerra.

Policiais que também muitas vezes moram em comunidades, recebem uma remuneração inadequada e que, no dia a dia do trabalho, acabam adquirindo e se habituando a práticas que aumentam o sofrimento das famílias dos polícias e das famílias das vítimas da violência, que muitas vezes também são policiais. Precisamos fazer perguntas. E a pergunta que fazemos é: como um profissional que trabalha para o bem da sociedade, chega a esse ponto de cometer tamanha barbárie? Como atirar de forma irresponsável, em um local de grande movimento de pessoas, em dois cidadãos que passavam de bicicleta. Além de Leno Sacramento e Garlei Souza, quantas outras vítimas inocentes poderiam ser atingidas por essa ação desastrosa? Como se sente alguém que está na linha de tiro?

Quantos jovens negros são vitimados diariamente desta mesma forma?

Precisamos falar sobre isso. E a responsabilidade é de todos os órgãos que trabalham com Segurança Pública. Não é responsabilidade de apenas um policial, nem de uma única instância pública. É de todo um o sistema de segurança, de todo o governo e também da sociedade civil, que deve se perguntar qual a polícia que quer.

São os policiais que precisam refletir sobre suas práticas e suas condições de trabalho. São os governantes que precisam pensar de forma responsável a segurança Pública, dialogando, reconhecendo erros, e buscando exemplos ao redor do mundo, em locais que enfrentaram os mesmos problemas, mas alteraram a relação entre a sociedade e a polícia.

Através da arte, o Bando de Teatro Olodum vem abrindo uma porta para essas questões. Desde o primeiro espetáculo, Essa é a nossa Praia, em 1990, abordamos a questão da segurança, questionando a conduta policial frente à comunidade negra. Abrimos outra porta, em 2002, com o espetáculo Relato de Uma Guerra que não Acabou, quando abordamos as diferentes facetas da greve da polícia militar da Bahia e da política de segurança Pública do Estado. Quase 20 anos se passaram e continuamos dizendo que Essa Guerra Ainda Não Acabou. O próprio Leno Sacramento, atualmente, faz uso do seu corpo e voz, por meio da sua arte, provocando a todos para o debate as Encruzilhadas que nos encontramos.     

Estamos abrindo portas, mas a arte tem limites. Essa carta é um chamado à responsabilidade de todos.

Estamos aqui, expostos diante de vocês, para dizer: Isso não pode ficar impune, e a responsabilidade é de todos. Não apenas por Leno Sacramento e Garlei Souza, mas pelos negros e negras, jovens ou não, que sofrem a violência do racismo diariamente. Dias após dia, nestes conflitos, passando por tanto medo.

 

Salvador, 14 de junho de 2018

Bando de Teatro Olodum

 

 

O Vila Reage e se Reinventa

OS DEPUTADOS ESTADUAIS NEUSA CADORE E MARCELINO GALO (PT/BA) REALIZAM A AUDIÊNCIA PÚBLICA NO TEATRO VILA VELHA

A audiência O Vila Reage e se Reinventa, acontece próximo

ao aniversário de 54 anos do Teatro e é aberta ao público

 

Inaugurado em 1964 pela Sociedade Teatro dos Novos, o Teatro Vila Velha completa 54 anos no próximo dia 31 de Julho. Em mais de meio século de atividade, estabeleceu-se como um patrimônio da Cidade de Salvador e da cultura brasileira, sendo desde sempre um local de experimentação e convergência de diferentes criadores e linguagens artísticas. E também um palco que acolhe e amplifica demandas da sociedade civil organizada, seja na promoção de debates por direitos sociais, na crítica às estruturas do poder político ou no enfrentamento de preconceitos e injustiças históricas.

Em homenagem a essa trajetória de criação e questionamento constantes, acontece na quarta-feira, dia 13 de junho, a Audiência Pública O Vila Reage e se Reinventa, proposta pelos deputados estaduais Neusa Cadore (PT/BA) e Marcelino Galo (PT/BA), às 09h, no palco principal do teatro. Na ocasião, a coordenação e a direção artística da casa fazem um rápido diagnóstico da situação do Vila Velha que, como ocorre com outras instituições culturais no Brasil, trava uma batalha para manter-se atuante como espaço plural, num contexto de homogeneização de pensamento e do consumo de arte adestrado pela indústria cultural.

O Vila não é e não quer ser apenas um teatro de pautas, mas  um teatro de ideias e de causas. Ainda em seus primeiros anos, durante a ditadura militar, acolheu artistas e estudantes perseguidos pelo regime de exceção, além de abrigar encontros do movimento estudantil.  Já em seu primeiro ano de existência encenou o espetáculo Eles Não Usam Bleque-Tai, o texto-libelo de texto de  Gianfrancesco Guarnieri denunciando as opressões contra a classe trabalhadora no país.

Também realizou espetáculos históricos para a Música Popular Brasileira, como o Nós, Por Exemplo, com a participação de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa e Tom Zé. Em seu palco foram julgadas e aprovadas as anistias políticas do cineasta Glauber Rocha e do guerrilheiro Carlos Marighella, quando o Estado Brasileiro pediu desculpas a suas famílias pelos atos criminosos durante o regime militar.

Hoje o Vila é um ponto de cultura reconhecido pelo Ministério da Cultura (MINC), de quem já recebeu a medalha Ordem do Mérito Cultural do MINC. E permanece lar de importantes companhias teatrais brasileiras, como o Bando de Teatro Olodum e a histórica Companhia Teatro dos Novos.  Também já diversos grupos da cena teatral baiana, como o Vilavox e a Companhia Novos Novos - hoje com sedes próprias - e o Viladança e o Vivadança Festival Internacional, que colocou a Bahia no circuito internacional de dança. Ainda apoia iniciativas de outros municípios como o grupo NATA (Núcleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas), a Cia Teatro da Queda (RJ).

Para continuar sendo um local de atração, diálogo  e compartilhamento de ideias nos campos da arte e da cidadania o teatro lançou este ano o projeto O Vila se Reinventa. Uma estratégia inédita em sua  organização, programando um calendário de novas montagens e reposições do seu repertório até o final do ano e a compra antecipada de ingressos. Essa ação beneficia tanto o expectador de Salvador quanto o de outras cidades, que queira planejar sua ida ao teatro, quanto o próprio teatro, que consegue antecipar recursos importantes para sua manutenção.

Ainda no escopo da iniciativa ampliou sua Universidade Livre, programa de formação profissionalizante que existe desde 2005, reestruturando sua metodologia e diversificando sua pedagogia, sempre atenta ao eixo estruturante da concepção de que a teoria vem da prática e o processo é o produto.

A estrutura do Teatro Vila Velha conta com um palco principal com capacidade para até 400 expectadores; um palco secundário, O Cabaré dos Novos, com capacidade para até 100; uma área de exposição de artes visuais, próxima ao foyer, salas de ensaio e uma oficina cenográfica O local recebe diariamente diversos públicos, desde os espectadores de seus espetáculos, ou dos espetáculos abrigados pelo Teatro, quanto artistas de diferentes linguagens, estudantes de seus curso e oficinas, pesquisadores de teatro e arte, além do público de artes visuais.

Confiante em sua história e capacidade de se recriar, o Teatro Vila Velha lançou O Vila se Reinventa como um desafio, tanto ao futuro incerto, quanto ao presente de condições precárias ao exercício dessa arte tão importante quanto antiga.  Para seu diretor artístico, Márcio Meirelles, reside nessa esperança a beleza das artes do palco: “o teatro se reinventa sempre ou não é teatro, se recria para continuar a ser o que foi talhado para ser”, acredita Marcio.

 

 

Por que Hecuba

Hécuba, rainha de Tróia, interpretada magistralmente pela atriz Chica Carelli em POR QUE HÉCUBA, uma releitura do dramaturgo romeno Matéi Visniec para o clássico de Eurípedes. Na trama, Hécuba perde todos os filhos na guerra que durou 10 anos e terminou com a vitória dos gregos - mas em seu texto Visniec nos mostra nossas guerras cotidianas, a violência transformada em espetáculo, a manipulação dos fatos e dos bens que sofremos. A encenação de Márcio Meirelles situa isso no carnaval da Bahia, onde os deuses que produzem tudo isso se divertem, no camarote, com a tragédia humana - isso com muita música ao vivo, dança e a experiência de estar num espaço cênico onde o espetáculo envolve o público de maneira única, como o carnaval. A reposição do espetáculo marca o ciclo de comemorações dos 60 anos do Teatro dos Novos, grupo fundador do Teatro Vila Velha.

Escritas da cena - Laboratorio criativo

 

ESCRITAS DA CENA

Laboratório criativo com a Revista Barril

 Ministrantes:

Amine Barbuda

Daniel Guerra

Igor de Albuquerque


 Módulo I (Crítica e Ensaísmo) - 4 a 27 de abril

Módulo II (Dramaturgia e Literatura) - 2 a 25 de Maio

Módulo III  (Dramaturgia da Cena) - 1 a 27 de Junho

 Quartas e sextas, das 19h às 21h

 Preço por Módulo: R$250,00

Preço dos três Módulos: R$700,00

Atenção :Após o início da oficina não haverá devolução do valor da inscrição

 Aqui o ato de escrever será encarado em suas múltiplas facetas: a escrita a partir do acontecimento cênico (Módulo I: Crítica e Ensaísmo), a dramaturgia enquanto escrita para a cena (Módulo II: Dramaturgia e Literatura), e a cena enquanto escrita viva (Módulo III: Dramaturgia da Cena). Os participantes serão estimulados à leitura e à produção de textos críticos, ensaísticos e dramatúrgicos, percebendo a conexão que há entre essas instâncias. Cada módulo aprofundará em um dos aspectos propostos, sem deixar de fazer referência aos demais. Durante o curso, os textos dos participantes serão discutidos em grupo, editados e revisados pelos ministrantes, e publicados nos blogs da Barril e do Teatro Vila Velha. O ensaísmo, enquanto ação crítica no mundo e marca principal da Revista Barril, será a linha mestra do encontro. O laboratório é direcionado aos amantes da escrita em todas as suas vertentes, a jornalistas interessados pela cultura e pela crítica, escritores, críticos, estudantes, artistas amadores ou profissionais, atores, diretores, dramaturgos, dançarinos, coreógrafos, performers e agentes da cultura em geral.   

Currículos dos ministrantes

Amine Barbuda Artista de linguagens variadas, trabalha com desdobramentos de investigações urbanas e do homem contemporâneo utilizando ilustrações, animações e poesias. Amine é arquiteta e urbanista, graduada em 2012 pela Universidade Federal da Bahia, mestra também pela Universidade Federal da Bahia (2015).

Daniel Guerra Crítico e diretor teatral, trabalha também com cinema, vídeo e cruzamentos possíveis entre essas linguagens. Editor e fundador da Revista Barril. Mantém o blog Faróis Altos, onde publica ensaios e provocações estéticas.

Igor de Albuquerque Crítico, tradutor, editor, produtor e professor. Edita e escreve desde 2016 a Revista Barril. É mestre em literatura pela Universidade de Brasília. Também dirige o selo de música "Bim Bom Records". Dá aula de Literatura da UFRB

Oficina de Teatro Esporte

Período : do dia 7 de maio ao 14 de julho

às segundas das 9 às 13h

para atores e estudantes de teatro acima de 17 anos

obs: após o início da oficina não será possìvel a restituição do valor da inscrição

A oficina de teatro-esporte aplica as noções básicas de Improvisação Teatral para atores profissionais e/ou amadores, onde são aprendidas algumas noções básicas de interpretação (ação interna/ação externa, objetivo, status cênico, estados emocionais, etc), a partir de exercícios dinâmicos e divertidos. O Teatro-esporte é uma técnica de improvisação teatral, criada pelo diretor canadense Keith Johnstone, em meados dos anos 1960. Aqui na Bahia, a técnica veio pelas mãos do diretor alemão Volker Quandt, em 1994. Além do conhecimento e exercício das técnicas de treinamento para a prática do Teatro-esporte, haverá a aplicação de exercícios adaptados a partir de Viola Spolin, Augusto Boal, do grupo americano Living Theatre e das técnicas de Máscara Neutra e Máscara Expressiva da Commedia dell’Arte.

Celso Jr- Ator e diretor teatral, com mais de 30 anos de carreira, é professor do Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas - CECULT-UFRB. Doutor em Artes Cênicas pela Universidade Federal da Bahia, possui mais de 70 espetáculos em seu currículo, incluindo "Quem matou Maria Helena?" (1994), "Hamlet" (2005) e "Esperando Godot" (2014).

A Ultima Virgem

Originalmente chamada de “Os Sete Gatinhos”, essa outra alternativa de título surge do próprio Nelson Rodrigues: as pessoas associavam o título a uma peça infantil. A peça traz elementos característicos das obsessões rodrigueanas, tais como os desvios de sexualidade, o desejo abrupto e as pequenas mazelas do dia-a- dia colocados no palco em diálogos inconfundíveis que trazem a marca da linguagem excepcional deste imenso dramaturgo brasileiro.
“A última virgem: divina comédia de Nelson Rodrigues” é em homenagem às seis décadas da peça escrita em 1958 e também integra o ciclo de comemorações dos 60 anos do Teatro dos Novos, grupo fundador do Teatro Vila Velha.
A encenação fica a cargo de Celso Jr, um ator e diretor profícuo e reconhecido pela qualidade de suas montagens.
O encenador fala sobre o conceito da montagem: “A ideia de que a peça é uma “Divina comédia” deverá nortear as escolhas estéticas da montagem. Partindo deste universo mítico, se a ideia do Inferno de Dante é a ‘estática ausência de vida’ da danação absoluta; e o Paraíso, é a ‘estática ausência de vida’ da virtude absoluta, entre as duas, encontra-se a arte dinâmica: o Purgatório, que está em constante movimento de vitalidade. Assim, a obra de Nelson está inteiramente inserida dentro do nível do purgatório, contendo todas as tensões existentes entre o bem e o mal, o masculino e o feminino, a mente e o corpo, a objetividade e a subjetividade, em todos os polos opostos.”

Os Demônios

OS DEMÔNIOS
Encenação: Daniel Guerra
A partir do romance homônimo de Fiódor Dostoiésvki

O romance “Os Demônios”, de Dostoiévski, acompanha a saga e a tragédia de um grupo de revolucionários russos. Com sua pena cruel, Dostoiévski penetra nos espaços de encontro subversivos, nas relações dúbias mantidas entre os comparsas, onde sempre coexistem o amor e o ódio, a verdade e a mentira. Na encenação, Daniel Guerra procura olhar para esse mundo munido de outro tipo de instrumento, a materialidade da cena, os corpos, a presença dos atores. Quer salientar o conflito entre desejo, violência, amor e política. Ali onde os próprios irmãos de movimento se ferem. Mas de onde virá essa ferida? Do contato com a aristocracia financiadora? É claro que aquela Rússia não poderia ser suplantada para o Brasil atual sem um olhar inverso, no qual que esse Brasil olha pra lá. Em cena, um rito onde se reatualizam os conflitos entre linguagem e desejo, esperança e medo, amor e repulsa, destruição e vontade de vida.

Hamlet+Hamletmachine

A montagem incorpora ao clássico uma linguagem muito contundente, contemporânea, jovem e um diálogo muito potente com públicos de diversas gerações – ao abrir espaço para discussão sobre gênero, as frágeis fronteiras entre a ética e o poder, o desmantelamento da estrutura familiar e diversos dramas psicológicos vividos pelo próprio protagonista em sua saga pela vingança.
Sucesso de público desde a sua primeira temporada, em 2015, a encenação de Márcio Meirelles para a obra-prima de Shakespeare é reposta num momento muito especial: o ciclo de comemorações dos 60 anos do Teatro dos Novos, grupo fundador do Teatro Vila Velha.
No espetáculo a metalinguagem ganha a cena com a inclusão da peça “HamletMachine”, texto do dramaturgo alemão Heiner Muller que dialoga com o clássico. A inspiração gótica do figurino, a música ao vivo, o vídeo e o próprio cenário renovam e tornam a peça uma experiência intensamente instigante e provocante.