PROGRAMAÇÃO

TATABITATO - oficina de música para bebês e famílias

TATABITATO

oficina de música para bebês e famílias


Dia 25 de agosto, das 10h às 11h, a multi-instrumentista e compositora portuguesa Ana Bento realiza oficina Tatabitato, de  música para bebês (a partir de três meses e até cinco anos) e suas famílias, no Teatro Vila Velha.

Com base num repertório musical variado, Tatabitato é um encontro entre gerações e um espaço que proporciona a cada um, a  descoberta de si próprio e do que o rodeia. Nesta sessão especialmente concebida para o Teatro Villa Velha, bebês e adultos viajam num universo que estimula a comunicação musical da exploração de jogos, ritmos e canções com diferentes métricas e tonalidades, sons variados, objetos curiosos e muito movimento.

Ana é formada em Educação Musical pelo Conservatório de Música de Viseu (Portugal ) e pós-graduada em Musicoterapia pelo Centro de Investigación Musicoterapéutica de Bilbao (Espanha). Também é diretora musical e artística de diversos espetáculos.

As inscrições já estão abertas e podem ser feitas clicando em "comprar ingresso".

Devorando A Última Virgem

DEVORANDO A ÚLTIMA VIRGEM

Depois de Devorando  Hécuba, o Vila promove mais um jantar em processo, desta vez com o diretor de A Última Virgem (divina comédia de Nelson Rodrigues)

Na próxima segunda-feira, dia 20 de agosto o diretor de A Última Virgem (A Divina comédia de Nelson Rodrigues),  Celso Jr. organiza o jantar Devorando a Última Virgem, um bate bapo com comida e bebidas, sobre o processo de criação do espetáculo.  Começa às 20h.

No cardápio, Tajine de Legumes com Couscous Marroquino preparado pelo próprio Celso Jr. , que oferece também aos convidados suas impressões e intenções durante a montagem do texto a de Nelson Rodrigue, em cartaz no Teatro Vila Velha. Quem quiser pode  participar do bate papo, que é gratuito. Já o jantar custa R$ 30 (só o prato) e R$ 35 (prato+taça de vinho) e pode ser comprado na bilheteira do teatro.

Traga sua fome ;)

A Ultima Virgem

Originalmente chamada de “Os Sete Gatinhos”, essa outra alternativa de título surge do próprio Nelson Rodrigues: as pessoas associavam o título a uma peça infantil. A peça traz elementos característicos das obsessões rodrigueanas, tais como os desvios de sexualidade, o desejo abrupto e as pequenas mazelas do dia-a- dia colocados no palco em diálogos inconfundíveis que trazem a marca da linguagem excepcional deste imenso dramaturgo brasileiro.
“A última virgem: divina comédia de Nelson Rodrigues” é em homenagem às seis décadas da peça escrita em 1958 e também integra o ciclo de comemorações dos 60 anos do Teatro dos Novos, grupo fundador do Teatro Vila Velha.
A encenação fica a cargo de Celso Jr, um ator e diretor profícuo e reconhecido pela qualidade de suas montagens.
O encenador fala sobre o conceito da montagem: “A ideia de que a peça é uma “Divina comédia” deverá nortear as escolhas estéticas da montagem. Partindo deste universo mítico, se a ideia do Inferno de Dante é a ‘estática ausência de vida’ da danação absoluta; e o Paraíso, é a ‘estática ausência de vida’ da virtude absoluta, entre as duas, encontra-se a arte dinâmica: o Purgatório, que está em constante movimento de vitalidade. Assim, a obra de Nelson está inteiramente inserida dentro do nível do purgatório, contendo todas as tensões existentes entre o bem e o mal, o masculino e o feminino, a mente e o corpo, a objetividade e a subjetividade, em todos os polos opostos.”

Os Demônios

OS DEMÔNIOS
Encenação: Daniel Guerra
A partir do romance homônimo de Fiódor Dostoiésvki

O romance “Os Demônios”, de Dostoiévski, acompanha a saga e a tragédia de um grupo de revolucionários russos. Com sua pena cruel, Dostoiévski penetra nos espaços de encontro subversivos, nas relações dúbias mantidas entre os comparsas, onde sempre coexistem o amor e o ódio, a verdade e a mentira. Na encenação, Daniel Guerra procura olhar para esse mundo munido de outro tipo de instrumento, a materialidade da cena, os corpos, a presença dos atores. Quer salientar o conflito entre desejo, violência, amor e política. Ali onde os próprios irmãos de movimento se ferem. Mas de onde virá essa ferida? Do contato com a aristocracia financiadora? É claro que aquela Rússia não poderia ser suplantada para o Brasil atual sem um olhar inverso, no qual que esse Brasil olha pra lá. Em cena, um rito onde se reatualizam os conflitos entre linguagem e desejo, esperança e medo, amor e repulsa, destruição e vontade de vida.

Hamlet+Hamletmachine

A montagem incorpora ao clássico uma linguagem muito contundente, contemporânea, jovem e um diálogo muito potente com públicos de diversas gerações – ao abrir espaço para discussão sobre gênero, as frágeis fronteiras entre a ética e o poder, o desmantelamento da estrutura familiar e diversos dramas psicológicos vividos pelo próprio protagonista em sua saga pela vingança.
Sucesso de público desde a sua primeira temporada, em 2015, a encenação de Márcio Meirelles para a obra-prima de Shakespeare é reposta num momento muito especial: o ciclo de comemorações dos 60 anos do Teatro dos Novos, grupo fundador do Teatro Vila Velha.
No espetáculo a metalinguagem ganha a cena com a inclusão da peça “HamletMachine”, texto do dramaturgo alemão Heiner Muller que dialoga com o clássico. A inspiração gótica do figurino, a música ao vivo, o vídeo e o próprio cenário renovam e tornam a peça uma experiência intensamente instigante e provocante.

Manifesto do Bando de Teatro Olodum

MANIFESTO DO BANDO DE TEATRO OLODUM

 

Nestes 28 anos de trajetória, o Bando de Teatro Olodum vem tentando sempre, de forma artística, e muitas vez ativista, travar um diálogo com a sociedade para a gente melhorar nossas feridas, o racismo, o machismo, a homofobia, a intolerância religiosa e tantas violências geradas por esses preconceitos, que ainda permanecem em nosso país. Diante do que aconteceu com o ator Leno Sacramento e com o cenotécnico Garlei Souza precisávamos nos posicionar. Esse é um posicionamento difícil, porque o debate é urgente e parece que existe uma solução fácil. E parece que existem lados.   

Na nossa percepção, os dados que vemos todos os dias e a realidade de muitos de nós em nossos bairros, nos deixam apreensivos, não somente como artistas, mas também como cidadãos. Essa carta é, sim, de pessoas que trabalham com arte, mas que também são cidadãos como todos aqui presentes.

E entendemos e percebemos na pele, no dia a dia, como a sociedade sofre toda essa violência. A relação entre a polícia e a sociedade civil está esgarçada. A Política de Segurança Pública do País falhou. O aumento constante dos assassinatos e a sensação geral de insegurança são prova disto. 

Temos a Polícia que mais mata e mais morre no mundo. Qual o nome adequado para definir isso que estamos vivemos? É guerra? É assim que devemos assumir, já que superamos em número de mortes, países declaradamente em guerra.

Policiais que também muitas vezes moram em comunidades, recebem uma remuneração inadequada e que, no dia a dia do trabalho, acabam adquirindo e se habituando a práticas que aumentam o sofrimento das famílias dos polícias e das famílias das vítimas da violência, que muitas vezes também são policiais. Precisamos fazer perguntas. E a pergunta que fazemos é: como um profissional que trabalha para o bem da sociedade, chega a esse ponto de cometer tamanha barbárie? Como atirar de forma irresponsável, em um local de grande movimento de pessoas, em dois cidadãos que passavam de bicicleta. Além de Leno Sacramento e Garlei Souza, quantas outras vítimas inocentes poderiam ser atingidas por essa ação desastrosa? Como se sente alguém que está na linha de tiro?

Quantos jovens negros são vitimados diariamente desta mesma forma?

Precisamos falar sobre isso. E a responsabilidade é de todos os órgãos que trabalham com Segurança Pública. Não é responsabilidade de apenas um policial, nem de uma única instância pública. É de todo um o sistema de segurança, de todo o governo e também da sociedade civil, que deve se perguntar qual a polícia que quer.

São os policiais que precisam refletir sobre suas práticas e suas condições de trabalho. São os governantes que precisam pensar de forma responsável a segurança Pública, dialogando, reconhecendo erros, e buscando exemplos ao redor do mundo, em locais que enfrentaram os mesmos problemas, mas alteraram a relação entre a sociedade e a polícia.

Através da arte, o Bando de Teatro Olodum vem abrindo uma porta para essas questões. Desde o primeiro espetáculo, Essa é a nossa Praia, em 1990, abordamos a questão da segurança, questionando a conduta policial frente à comunidade negra. Abrimos outra porta, em 2002, com o espetáculo Relato de Uma Guerra que não Acabou, quando abordamos as diferentes facetas da greve da polícia militar da Bahia e da política de segurança Pública do Estado. Quase 20 anos se passaram e continuamos dizendo que Essa Guerra Ainda Não Acabou. O próprio Leno Sacramento, atualmente, faz uso do seu corpo e voz, por meio da sua arte, provocando a todos para o debate as Encruzilhadas que nos encontramos.     

Estamos abrindo portas, mas a arte tem limites. Essa carta é um chamado à responsabilidade de todos.

Estamos aqui, expostos diante de vocês, para dizer: Isso não pode ficar impune, e a responsabilidade é de todos. Não apenas por Leno Sacramento e Garlei Souza, mas pelos negros e negras, jovens ou não, que sofrem a violência do racismo diariamente. Dias após dia, nestes conflitos, passando por tanto medo.

 

Salvador, 14 de junho de 2018

Bando de Teatro Olodum

 

 

O Vila Reage e se Reinventa

OS DEPUTADOS ESTADUAIS NEUSA CADORE E MARCELINO GALO (PT/BA) REALIZAM A AUDIÊNCIA PÚBLICA NO TEATRO VILA VELHA

A audiência O Vila Reage e se Reinventa, acontece próximo

ao aniversário de 54 anos do Teatro e é aberta ao público

 

Inaugurado em 1964 pela Sociedade Teatro dos Novos, o Teatro Vila Velha completa 54 anos no próximo dia 31 de Julho. Em mais de meio século de atividade, estabeleceu-se como um patrimônio da Cidade de Salvador e da cultura brasileira, sendo desde sempre um local de experimentação e convergência de diferentes criadores e linguagens artísticas. E também um palco que acolhe e amplifica demandas da sociedade civil organizada, seja na promoção de debates por direitos sociais, na crítica às estruturas do poder político ou no enfrentamento de preconceitos e injustiças históricas.

Em homenagem a essa trajetória de criação e questionamento constantes, acontece na quarta-feira, dia 13 de junho, a Audiência Pública O Vila Reage e se Reinventa, proposta pelos deputados estaduais Neusa Cadore (PT/BA) e Marcelino Galo (PT/BA), às 09h, no palco principal do teatro. Na ocasião, a coordenação e a direção artística da casa fazem um rápido diagnóstico da situação do Vila Velha que, como ocorre com outras instituições culturais no Brasil, trava uma batalha para manter-se atuante como espaço plural, num contexto de homogeneização de pensamento e do consumo de arte adestrado pela indústria cultural.

O Vila não é e não quer ser apenas um teatro de pautas, mas  um teatro de ideias e de causas. Ainda em seus primeiros anos, durante a ditadura militar, acolheu artistas e estudantes perseguidos pelo regime de exceção, além de abrigar encontros do movimento estudantil.  Já em seu primeiro ano de existência encenou o espetáculo Eles Não Usam Bleque-Tai, o texto-libelo de texto de  Gianfrancesco Guarnieri denunciando as opressões contra a classe trabalhadora no país.

Também realizou espetáculos históricos para a Música Popular Brasileira, como o Nós, Por Exemplo, com a participação de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa e Tom Zé. Em seu palco foram julgadas e aprovadas as anistias políticas do cineasta Glauber Rocha e do guerrilheiro Carlos Marighella, quando o Estado Brasileiro pediu desculpas a suas famílias pelos atos criminosos durante o regime militar.

Hoje o Vila é um ponto de cultura reconhecido pelo Ministério da Cultura (MINC), de quem já recebeu a medalha Ordem do Mérito Cultural do MINC. E permanece lar de importantes companhias teatrais brasileiras, como o Bando de Teatro Olodum e a histórica Companhia Teatro dos Novos.  Também já diversos grupos da cena teatral baiana, como o Vilavox e a Companhia Novos Novos - hoje com sedes próprias - e o Viladança e o Vivadança Festival Internacional, que colocou a Bahia no circuito internacional de dança. Ainda apoia iniciativas de outros municípios como o grupo NATA (Núcleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas), a Cia Teatro da Queda (RJ).

Para continuar sendo um local de atração, diálogo  e compartilhamento de ideias nos campos da arte e da cidadania o teatro lançou este ano o projeto O Vila se Reinventa. Uma estratégia inédita em sua  organização, programando um calendário de novas montagens e reposições do seu repertório até o final do ano e a compra antecipada de ingressos. Essa ação beneficia tanto o expectador de Salvador quanto o de outras cidades, que queira planejar sua ida ao teatro, quanto o próprio teatro, que consegue antecipar recursos importantes para sua manutenção.

Ainda no escopo da iniciativa ampliou sua Universidade Livre, programa de formação profissionalizante que existe desde 2005, reestruturando sua metodologia e diversificando sua pedagogia, sempre atenta ao eixo estruturante da concepção de que a teoria vem da prática e o processo é o produto.

A estrutura do Teatro Vila Velha conta com um palco principal com capacidade para até 400 expectadores; um palco secundário, O Cabaré dos Novos, com capacidade para até 100; uma área de exposição de artes visuais, próxima ao foyer, salas de ensaio e uma oficina cenográfica O local recebe diariamente diversos públicos, desde os espectadores de seus espetáculos, ou dos espetáculos abrigados pelo Teatro, quanto artistas de diferentes linguagens, estudantes de seus curso e oficinas, pesquisadores de teatro e arte, além do público de artes visuais.

Confiante em sua história e capacidade de se recriar, o Teatro Vila Velha lançou O Vila se Reinventa como um desafio, tanto ao futuro incerto, quanto ao presente de condições precárias ao exercício dessa arte tão importante quanto antiga.  Para seu diretor artístico, Márcio Meirelles, reside nessa esperança a beleza das artes do palco: “o teatro se reinventa sempre ou não é teatro, se recria para continuar a ser o que foi talhado para ser”, acredita Marcio.