PROGRAMAÇÃO

FIAC Bahia XI Edição

Confira os  quatro espetáculos da  11ª edição do Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia – FIAC Bahia, que acontecem no Teatro Vila Velha e no Passeio Público de Salvador

 

E se rupestre vingaroda? (BA/MG)  Performance.

E se celebrando novas existências, construíssemos as decadências das mais velhas hegemonias? A montagem dos músicos e produtores Lenis Rino, Leo Mendes e Mahal Pita investiga o princípio social da construção do Brasil a partir do legado das chulas, sambas de roda e maculelês. Um experimento/instalação/mani(festa) que mistura música e ação com a participação do público. A roda é um futuro a se preencher aqui e agora.

Dia 23/10, às 20h, no Teatro Vila Velha.

Ingresso: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia-entrada).

Indicação etária: 18 anos. Duração: 60 min.

 

Bonito (BA) – Teatro infantil.

Com Edu O., Lia Lordelo, Lucas Valentim, Lulu Pugliese, Olga Lamas e William Gomes. Direção e dramaturgia: Paula Lice. O que em mim assusta e incomoda, mas é ao mesmo tempo minha potência? Em cena, seis criadores e uma intérprete de libras reelaboram a imagem grotesca e assustadora dos monstros de infância e dão voz e movimento a novos monstros que são em si a força íntima de cada um. Criam uma dramaturgia aberta que brinca com suas crianças e a criança do outro.

Dia 27/10, às 16h, no Teatro Vila Velha.

Ingresso: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia-entrada).

Indicação etária: Livre. 

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA EM LIBRAS. Duração: 50 min. 

  

Involuntários da Pátria porque outra é a nossa vontade (PI) – Performance. 

Com Fernanda Silva. Direção: Sônia Sobral. Segundo o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, os indígenas e negros são os primeiros involuntários da pátria, pois lhes caiu sobre a cabeça uma pátria que não pediram e que lhes trouxe muita dor. Além destes, os pobres, os LGBTQI+, as mulheres e todos que se solidarizam com eles, também involuntários da pátria porque "outra é a nossa vontade".

Dias 26 e 27/10, às 17h, no Passeio Público. Entrada franca.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA EM LIBRAS. Indicação etária: Livre. Duração: 30 min.

 

El Desenterrador (Espanha)  Teatro.

Realizado pela Societat Doctor Alonso (Tomàs Aragay e Sofia Asencio) e Piedra Dura, da Espanha. Um jogo cênico entre atores e o público que desenterra palavras em desuso, palavras que o significado mudou e palavras tabus, para gerar espaços de discurso poético que questionam o status quo de nossa compreensão da realidade. Colocar algo fora de seu lugar para investigar como essa mudança modifica a linguagem tanto em relação à sua gramática constituinte quanto à leitura que um observador pode fazer.

Dia 28/10, às 11h, no Teatro Vila Velha. 

Ingresso: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia-entrada).

Indicação etária: Livre. TRADUÇÃO SIMULTÂNEA EM LIBRAS. Duração: 1h30.

GRUPO NATA ESTREIA OXUM

 

Grupo NATA comemora 20 anos com a estreia de Oxum no Vila Velha

Onde está o seu poder? Onde você seca? Conta um itan africano que através de um levante organizado e liderado por Oxum, às mulheres foram convocadas a secar o mundo, deixando-o infértil e desequilibrado. Para que todos compreendessem a importância das mulheres na concepção e organização do mundo. 

“A revolução social é feminina e chegou a hora da Mulher Negra falar de si, por si e sobre si. Oxum é um espetáculo de poderamento feminino negro, onde a mulher Negra contemporânea é convocada a buscar o seu poder”, declara Onisajé (Fernanda Júlia), diretora artística do Núcleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas (NATA). O espetáculo também tem direção do coreógrafo Zebrinha e dramaturgia de Daniel Arcades.

Na dramaturgia aparecem quatro qualidades de OXUM: Opará – Justiceira e guerreira; Okê ou Loke – caçadora; Abotô ou Yaboto, relacionada ao parto e ao nascimento e ao encantamento; e Ijimu, a feiticeira e senhora da fecundidade. 

Faz-se ainda referência a Yami, mãe ancestral, síntese e geratriz do poder feminino. Na poética do Nata, cada Oxum é interpretada pela atriz que tem o arquétipo correspondente a qualidade. Para escolher essas qualidades, a voz – o lugar de fala – das atrizes se tornou algo importante. Oxum é um mergulho no autocuidado entre mulheres negras.

Para Oxum, o NATA convidou mais três atrizes – Fernanda Silva, Ive Carvalho e Tatiana Dias -, que foram selecionadas através de audição. Fazem parte do elenco os integrantes do grupo: Fabíola Nansurê, Antônio Marcelo, Daniel Arcades, Thiago Romero - que assina a direção de arte - e Nando Zâmbia, que assina a iluminação e a coordenação técnica da peç­­­­a. Para completar o quadro de interpretes, o grupo traz a cantora Joana Boccanera, que também assina a preparação vocal.

Zebrinha comenta que o espetáculo faz uma leitura moderna ao mostrar o entrelaçamento do mítico com o contemporâneo. “Ao ser iniciado passei por um upgrade. Hoje, como filho de Ogun, consigo enfrentar a batalha que é calçar um salto alto. É desta forma que encenamos essa yabá. Mostramos que essas mulheres, acima de tudo, carregam o poder e o comportamento da Oxum. Ou seja, do arquétipo que carregam. Elas levam a orixá em sua personalidade”.

 

De acordo com Daniel Arcades, a dramaturgia em Oxum aprofunda o processo de pesquisa feito nos trabalhos anteriores do Nata. “Mantêm o lírico-narrativo aliado a presença das vozes políticas femininas. A grande novidade é esse lugar de fala. Durante muito tempo, o NATA foi majoritariamente masculino. Em Oxum, ao trazermos quatro atrizes, o grupo passa a ser mais feminino, interferindo na dramaturgia”.

Daniel explica que a dramaturgia aprofunda o intercâmbio entre tradição e contemporaneidade, trazendo um discurso que pensa no protagonismo feminino. “Pensamos em dois lugares: no lugar de fala e escuta. O discurso feminino precisa estar ao alcance de todos, mas em lugares diferentes. Esse assunto não é só de mulher e sim de todos, mas a fala precisa ser delas”.

Com isso, o espetáculo Oxum vem para fazer as seguintes perguntas: Onde está o poder da mulher negra? Ela tem consciência desse poder? Onde ela seca o mundo? A montagem é um levante contra o feminicídio negro e a invisibilização da mulher negra na contemporaneidade.

“Lugar de fala não é só o lugar que se está falando, mas a visibilização e legitimação desta fala, citando aqui a filósofa Djamila Ribeiro. É o que estamos propondo em Oxum. É a mulher falar de si, por si e sobre si. O homem é criado para valorizar-se desde sempre. E a mulher negra é o outro do outro. Vem depois da mulher branca”, descreve Onisajé, ao reforçar que a sociedade precisa visibilizar essas vozes femininas negras.

Mas, é impossível falar de feminino sem trazer uma proposição de uma nova masculinidade. “O espetáculo traz dois princípios fortes do texto: o lugar de fala e de escuta. O homem precisa escutar e estudar nossas questões. A dramaturgia é de Daniel, mas foi construída a partir das vozes das mulheres que fazem parte desse projeto – atrizes, produtoras e conselheiras”, explica.

Além de Daniel Arcades na dramaturgia, Onisajé divide a encenação com o coreógrafo Zebrinha. “O homem tem que afirmar o feminismo e enxergar o papel dele nessa luta. O problema não é o homem e sim o machismo. Não queremos uma inversão de supremacia e sim a complementariedade, pois no matriarcado sabemos a importância da mulher e do homem juntos”, destaca.

 

O espetáculo OXUM faz parte do projeto OROAFROBUMERANGUE, aprovado no Edital de Apoio a Grupos e Coletivos Culturais da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb). A realização é do Núcleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas (NATA) e uma produção da Modupé Produções.

 

De quinta a sábado, às 20h, e domingo, às 19h.

Os Demônios

Encenação: Daniel Guerra
A partir do romance homônimo de Fiódor Dostoiésvki

O romance “Os Demônios”, de Dostoiévski, acompanha a saga e a tragédia de um grupo de revolucionários russos. Com sua pena cruel, Dostoiévski penetra nos espaços de encontro subversivos, nas relações dúbias mantidas entre os comparsas, onde sempre coexistem o amor e o ódio, a verdade e a mentira. Na encenação, Daniel Guerra procura olhar para esse mundo munido de outro tipo de instrumento, a materialidade da cena, os corpos, a presença dos atores. Quer salientar o conflito entre desejo, violência, amor e política. Ali onde os próprios irmãos de movimento se ferem. Mas de onde virá essa ferida? Do contato com a aristocracia financiadora? É claro que aquela Rússia não poderia ser suplantada para o Brasil atual sem um olhar inverso, no qual que esse Brasil olha pra lá. Em cena, um rito onde se reatualizam os conflitos entre linguagem e desejo, esperança e medo, amor e repulsa, destruição e vontade de vida.

Hamlet+Hamletmachine

A montagem incorpora ao clássico uma linguagem muito contundente, contemporânea, jovem e um diálogo muito potente com públicos de diversas gerações – ao abrir espaço para discussão sobre gênero, as frágeis fronteiras entre a ética e o poder, o desmantelamento da estrutura familiar e diversos dramas psicológicos vividos pelo próprio protagonista em sua saga pela vingança.
Sucesso de público desde a sua primeira temporada, em 2015, a encenação de Márcio Meirelles para a obra-prima de Shakespeare é reposta num momento muito especial: o ciclo de comemorações dos 60 anos do Teatro dos Novos, grupo fundador do Teatro Vila Velha.
No espetáculo a metalinguagem ganha a cena com a inclusão da peça “HamletMachine”, texto do dramaturgo alemão Heiner Muller que dialoga com o clássico. A inspiração gótica do figurino, a música ao vivo, o vídeo e o próprio cenário renovam e tornam a peça uma experiência intensamente instigante e provocante.