Mostra de dramaturgia da dança coordenada pelo espanhol Guillermo Heras acontece neste sábado, dia 21, às 16h, no Cabaré dos Novos Imprimir

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Foto João Milet Meirelles

Participando pela segunda vez do VIVADANÇA Festival Internacional, o espanhol Guillermo Heras ministrou a oficina de Dramaturgia da Dança, dirigida tanto a bailarinos quanto a coreógrafos, assim como a criadores de Artes Cênicas interessados em pesquisa e investigação. A atividade será encerrada neste sábado, dia 21, com uma mostra a ser realizada, às 16h, no Cabaré dos Novos, com acesso gratuito.

A oficina foi planejada desde o ano passado, quando Heras esteve em Salvador para participar de uma mesa-redonda, e tem como objetivo entender a criação do bailarino enquanto elemento técnico do coreógrafo. A proposta desenvolvida na oficina, denominada "AS MELHORES CANÇÕES DE NOSSA VIDA", fez com que cada integrante escolhesse uma canção que tenha marcado a sua vida e, a partir dela, investigasse diferentes estratégias de criação de estruturas coreográficas e cênicas de tendência poética.

Heras destaca a importância de trabalhar a dramaturgia na dança ao afirmar que nem todas as estratégias do teatro se aplicam a dança, visto que um bailarino também interpreta, mas não para construir um personagem em termos teatrais. “No teatro, a narratividade é muito mais forte, já a dança eu vejo como a poesia no espaço. Ela é muito mais aberta, com mais possibilidades de encontrar estratégias de construção do espetáculo”, explicou.

A Dança na Bahia e no Brasil

Natural de Madrid, Guillermo Heras é professor de artes cênicas, ator, diretor, jornalista, gestor cultural e autor teatral. Como ator e diretor, trabalhou no Grupo Tábano entre 1974 e 1983. No mesmo período passou a trabalhar como gestor cultural no Ministério da Cultura espanhol e, desde então, tem acumulado ampla experiência em gestão. Atualmente, ele é Coordenador da Unidade Técnica do Programa Iberescena.

Sobre a dança produzida na Bahia, ele acredita que “há um material humano para poder resultar em novos projetos”, além disso, “a dança é muito autêntica, os bailarinos tem uma qualidade muito boa, e estão dispostos a aprender e absorver outras experiências”. No entanto, “é preciso muito mais apoio dos governos federal e estadual”.

“A dança precisa de mais ajuda, mas não só no sentido de que as companhias estabelecidas tenham mais dinheiro. Mas entender a dança como um todo: que se promova mais, que se criem espectadores, que os festivais tenham mais suporte e que dialoguem entre si, ou seja, estou falando sobre recurso”, analisa Heras.

 

O Programa Iberoscena

Há cinco anos, o Programa Iberescena funciona como um fundo econômico que reúne países da região Iberoamericana para apoiar projetos das artes cênicas. Até o momento, o programa já distribuiu 4.9 milhões de euros para mais de 500 projetos.

Heras está viajando pelo Brasil para explicar a outras companhias como funciona o programa, que vem crescendo e apoiando produções de êxito. Ele explica que, até por conta das enormes dimensões territoriais e populacionais do Brasil, a quantidade de projetos encaminhados pelo país tem sido gigantesca e, por isso, a competição tem sido acirrada.

Por outro lado, ele destaca que o Brasil duplicou a aplicação de investimento no programa, o que significa que mais projetos brasileiros vão poder receber esse suporte. A próxima reunião do Programa Iberoscena acontecerá em novembro, no Rio de Janeiro, sob coordenação da Funarte.

Mais informações: http://www.iberescena.org/