No livro Primeiras Estórias, que serviu como fonte de inspiração para Canteiros de Rosa, quase todos os contos apresentam personagens que vivem à margem da sociedade ou no limiar entre fantasia e realidade – são loucos, jagunços, crianças, pessoas que abandonam tudo para viver uma vida alternativa. Em nenhuma de suas narrativas o autor “resolve” o final – o mesmo princípio foi seguido pela diretora da montagem. “Afinal, para onde iriam os excluídos de Guimarães?”, questiona Jacyan.
Em cena, o público verá três narrativas. Na primeira, os moradores de uma pequena cidade sem nome aguardam a chegada de um homem, viúvo, que cuida há anos da mãe e da filha doentes, loucas. Nesse dia, o homem vai embarcá-las num trem que as levará para um sanatório, longe, e para sempre. Diante de sua futura solidão, a cidade se compadece.
Na segunda estória, uma menina tem o dom de profetizar – e desejar – coisas que vão acontecer. Como a menina se expressa, como toda criança, de um jeito que quase ninguém entende, seus pais, que esperam pelo milagre da chuva, não percebem quando ela profetiza a própria morte. Somente um tio, amigo, é capaz de entender a menina.
No último conto, um homem perseguido por uma multidão sobe numa árvore, onde ninguém consegue alcançá-lo. De lá, o homem faz um discurso “filosófico” para essa mesma multidão, que delira. Nenhuma autoridade consegue fazê-lo descer e as pessoas ficam especulando: se trata de um político que enlouqueceu, é um louco, um impostor...
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