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No VIVADANÇA, Hip Hop para discutir, apreciar e dançar

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Mediada pelo DJ Branco, coordenador da Mostra Hip Hop em Movimento, e tendo como tema os direitos humanos, foi realizada no último sábado, 23, a mesa redonda Hip Hop e Direitos humanos - Mudando as Regras do Jogo, que contou com a participação do rapper Dexter (SP), do militante do Movimento Negro e da Luta Anti-Prisional, Hamilton Borges, e do Secretário de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Estado da Bahia, Almiro Sena. A atividade lotou o palco do Teatro Vila Velha e contou com intensa participação do público, que fez diversas perguntas aos convidados. Abrindo a mesa, o DJ Branco comentou sobre a importância do VIVADANÇA como um espaço de fomento dessa cultura de rua, urbana, que foi trazida pelo Festival para dentro do teatro. Ele também contou que o Hip Hop baiano, enquanto movimento organizado, surgiu em 26 de abril de 1996.

 

Em seguida, foi a vez da participação de Hamilton Borges, que fez uma homenagem ao jovem Negro Blue, assassinado em 2007, no evento que ficou conhecido como a Matança de Nova Brasília. Segundo ele, a população negra soteropolitana sofre violências constantes. "Morremos como se fôssemos baratas, todos os dias", disse. O militante fez menção também ao fotógrafo Léo Ornellas, presente na plateia, descrevendo-o como uma figura fundamental no combate ao atual modelo de segurança pública, dafinido por Hamilton como "homofóbico e racista". Ele tratou ainda de momentos marcantes da história dos negros no Brasil e na Bahia, como a Revolta dos Malês, que aconteceu em Salvador em 1837.

 

Já o rapper Dexter abriu sua fala agradecendo ao convite de vir à Bahia, terra que acredita ter sido escolhida por Deus para que ele recebesse a notícia de sua liberdade, após 13 anos e três meses encarcerado. O músico contou que estava ali como ser humano, não apenas como detento ou integrante do movimento Hip Hop. "Quero falar do amor para vocês. Ele que me manteve lúcido e vivo nesses 13 anos. Foi o Hip Hop que fez isso comigo, foi o rap que fez isso comigo, mas foi também o amor", afimou. Respondendo a uma questão do público, ele falou de sua relação com a esposa, Patrícia, que conheceu quando já estava na prisão. "A minha vida e a da Patrícia se resume a amor", contou ele, com carinho.

 

Por fim, o Dr Almiro Sena convidou os integrantes do movimento Hip Hop a iniciarem um diálogo com a Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Estado da Bahia, que disse estar de portas abertas para recebê-los. "A Bahia tem uma identidade negra, a começar pela nossa ancestralidade, que deve estar a frente de tudo, independentemente da cor de pele, textura do cabelo ou estilo de cada um", falou o Secretário. Por fim, ele falou do interesse do governo do Estado em construir ações concretas para mudar a vida dos baianos.

 

Após cerca de duas horas de bate-papo, a mesa Hip Hop e Direitos humanos - Mudando as Regras do Jogo foi encerrada, com a promessa de continuar a conversa iniciada ali em outro momento, não apenas durante a programação do VIVADANÇA. Completando a programação do sábado, aconteceu ainda, direto do palco do TVV, a transmissão ao vivo pela Rádio Educadora FM do programa Evolução Hip Hop, comandado pelo DJ Branco. Além de Dexter, o grupo de rap baiano Fúria Consciente se apresentou. Na sequência, rolou também uma jam session, que teve como atrações Daganja, Negro Davi, Anjos do Gueto, Calibre MC e Fall, Quatro Preto, RBF e Os Agentes.

 

Um dia inteiro para celebrar o Hip Hop, com muita música, debate e, é claro, dança!

 

*FOTO: João Meirelles