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Solos internacionais são sucesso no VIVADANÇA

Solos1Nas últimas quarta e quinta-feiras, o VIVADANÇA Festival Internacional recebeu cinco solistas de quatro países, apresentando coreografias premiadas - numa parceira inédita entre o festival baiano e o Internationales Solo-Tanz-Theater Festival, de Stuttgart, Alemanha.

 

O primeiro solo, The gentleness was in her hands, da canadense Helen Simoneau, foi apresentado por Stacy Martorana (EUA). Com momentos extremamente íntimos, a coreografia criou um sentimento de inevitabilidade, um ritual dentro da jornada da bailarina.

 

Em seguida, foi a vez da renomada Katja Wachter, alemã conhecida no mundo inteiro por seu estilo próprio de coreografar e interpretar. Em The space between me and myself, Katja buscou explorar a lacuna existente entre o normal e o anormal, através de movimentações como espasmos, "tiques" etc.

 

Já Eldad Ban Sasson, com Heterotropia, utilizou o conceito de Michel Foucault para mostrar os momentos de diálogo entre uma pessoa e sua mente, como o espaço de um telefonema ou o momento em que uma pessoa se olha no espelho. "Às vezes me perco em minha cabeça e isso é confortável", explicou. Para treinar seu corpo, Eldad revelou que o único exercício que faz (além de treinar o seu próprio estilo de dança) é nadar.

 

Ran Ben Dror interpretou a coreografia de Idan Cohen, My Sweet Little Fur. No solo, o tema principal foi a dicotomia entre os lados terno e selvagem dos seres humanos. Ran, bailarino experiente, já passou pelo balé clássico, butô e outras técnicas. Segundo ele, "o mais importante é saber escanear o seu próprio corpo, para poder, com disso, expressar-se através dele".

 

Fechando a noite, o espanhol Joaquín Sánchez lançou, através do seu solo Always look at the sea, um questionamento sobre a diferença entre viver e sobreviver. "Estamos todo vivos, mas... quanto? Debaixo da pele, quanta vida cabe em nós?", perguntou ao público. Para fazer este trabalho, Joaquín passou um mês isolado em sua casa, dizendo durante 30 a 40 minutos "estou vivo, me sinto vivo". O espetáculo se tornou, então, o resultado de uma decisão tomada após este tempo de reflexão: justamente viver em vez de sobreviver.

 

*FOTO: João Meirelles

[Ran Ben Dror]