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Ninguém quer ser papaya...
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ObservatorioNo período de 1º a 10 de outubro de 2010, a convite do Ministério da Cultura da Colômbia, tive a oportunidade de visitar esse país participando como jurada do Prêmio Nacional de Dança, ação promovida pelo Programa Nacional de Estímulos daquele Ministério. Apesar de ter um estranhamento com a ideia de cessão de um prêmio anual para um único coreógrafo, encarei a minha inserção nesse concurso (!?) como uma forma de conhecer de perto a realidade da dança colombiana.

 

Meu pouco contato com a produção da dança colombiana, restrita a alguns artistas e a um grupo que já conhecia via a Rede Sulamericana de Dança, se ampliou duas semanas antes da viagem com o recebimento de uma enorme caixa, com quase vinte quilos, encaminhada pelo Ministério da Cultura, com os registros das obras coreográficas e informações sobre os artistas, as obras e os coreógrafos inscritos no Prêmio. Ao abrir a caixa, me deparei com uma enorme diversidade de contextos, estilos, estéticas e proposições cênicas (danças populares, shows folclóricos, ballet, dança moderna, dança contemporânea, grupos amadores e profissionais...), que, na perspectiva projetada pelo Prêmio, cabiam literalmente na mesma caixa!

 

Obviamente que minha primeira indagação foi de como analisar configurações tão distintas sob o guarda-chuva de um mesmo prêmio, apesar da existência de uma planilha que apontava critérios de avaliação para esse processo – eram propostas distintas, para serem analisadas a partir dos mesmos critérios. Esse questionamento gerou uma das recomendações que nós, membros da comissão julgadora – eu, Pedro Moráles (docente cubano que mora em Bogotá) e Julián Garay (bailarino colombiano que vive na Republica Dominicana) – deixamos para o Ministério da Cultura, além de indicarmos, dentre outros aspectos, que fosse aberto um espaço de consulta com a classe artística da dança para que se verificasse se esse Prêmio ainda tem sentido como ação de fomento.

 

Nas viagens realizadas pelo país para assistir aos espetáculos, saindo de Bogotá e passando por cidades como Montería, Ceretê e a apaixonante Cartagena, tive a possibilidade de conhecer um pouco da realidade colombiana, apreciar diferentes danças, paisagens, aromas e sabores (cafés maravilhosos!), estranhar o exército fazendo segurança nas ruas, conversar com artistas, estudantes e pesquisadores da dança e, assim, trazer outras referências e memórias desse país.

 

Viagem à parte, para mim foi uma grata surpresa quando, Cristina Castro, em um de nossos bate-papos, disse que estaria trazendo o grupo Cortocinesis. Grata, primeiramente, por saber que o público baiano teria a oportunidade de conhecer um grupo latino-americano de dança contemporânea (como sabemos pouco de nossos hermanos da dança e de seus contextos!), e, em segundo lugar, por ter sido esse grupo contemplado com o Prêmio Nacional de Dança do Ministério da Cultura da Colômbia, em 2010.

 

O Cortocinesis, formado em 2002, tem como coreógrafo Vladimir Chaparro, o qual foi membro da L’Éxplose (outra destacada companhia de dança contemporânea colombiana), dançou em algumas companhias francesas e participou de cursos com nomes da cena contemporânea, como Win Wanderkeybus e David Zambrano. O Cortocinesis tem realizado investigações cênicas, com foco na singularidade do corpo que dança e no trânsito entre dança e teatro.

 

Como o grupo declara, a obra Papayanoquieroserpapaya é um exercício reflexivo, político, sobre o que é(são) a(s) identidade(s) e o(s) estereótipo(s) de ser latino-americano. A coreografia, que será apresentada no festival VIVADANÇA nos dias 26 e 27 de abril, é uma versão compactada do espetáculo e pode ser que um de seus problemas, o esgarçamento das relações espaço-temporais por prolongamento de determinadas partes e a inserção de um intervalo, possa ter sido mais bem resolvido.

 

De uma forma geral, essa coreografia explora representações do ser colombiano, as quais, também, pertencem a outros países latino-americanos: exotismo, futebol, violência, sexo, drogas e guerrilha urbana. Há um lado cômico-trágico na obra – na recepção, a platéia ri de seus próprios problemas sociais e, ao mesmo tempo é lançada como parte que contém e é contida pela cena. Por outro lado, em alguns momentos, as metáforas, presentes na coreografia, em vez de serem abordadas como uma indagação, reforçam estereótipos e perspectivas hegemônicas sobre o próprio país. Vale ressaltar, a qualidade técnica e interpretativa dos dançarinos, com suas singularidades bem aproveitadas na obra.


Nesse espetáculo, como no dito popular colombiano, a papaya é explorada como uma idiossincrasia, da mesma forma que nós, brasileiros, somos reconhecidos pelo nosso jeitinho ou pela representação da mulher mulata, de nossas favelas ou a combinação samba + suor + cerveja. Na realidade, colombianos ou não, nós latino-americanos não queremos ser e nem ser vistos mais como papayas...

 

Lúcia Matos é doutora em Artes Cênicas (PPGAC-UFBA) e professora da Escola de Dança da UFBA, atuando na graduação e no Mestrado em Dança. Coordena o projeto Redanças: redes colaborativas em dança como ação política. É co-líder do grupo de pesquisa PROCEDA – Processos Corporeográficos e Educacionais em Dança. É membro do Grupo Gestor da Rede Sulamericana de Dança.

 

*FOTO: Juan Carlos Chaparro