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Violência e Eros no Butoh-MA de Tadashi Endo
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Oservatrio4Durante workshop, o artista japonês compartilhou suas experiências e entendimento da relação entre vida e morte, e criou conexões possíveis com outras formas de arte.

 

Tadashi Endo (dir)Konnichiwa! Ou “boa tarde”, uma reverência composta por esta expressão seguida de um movimento de inclinação do tronco à frente. Assim iniciamos uma experiência de imersão na proposta de oficina de Butoh-MA, sistematizada por Tadashi Endo, para a 5ª edição do Festival Internacional VIVADANÇA, em abril de 2011, no Teatro Vila Velha.

 

Os japoneses têm uma forma muito especial de se cumprimentar. A reverência oriental, o ojigi (ojigui) ou "arco", é uma manifestação de respeito que expressa abertura mental e desejo de aprender com o outro. O ojigi pode ser usado como forma de agradecimento, como pedido de desculpas ou quando se é apresentado a alguém, e deve ser acompanhado de palavras adequadas, para expressar exatamente a intenção da pessoa. Na convivência com Tadashi em Salvador, o ojigi se misturou à forma ocidental, latina, especificamente brasileira de cumprimentar, que vai do tradicional aperto de mão ao beijinho no rosto, passando por um abraço apertado e, muitas vezes, demorado. Apesar de esta peculiar proximidade corporal soar estranha no contexto japonês, a ideia da mistura, aspecto fundante da cultura brasileira, deu o tempero necessário para este encontro.

 

Durante sete dias, cerca de 30 pessoas – artistas da dança, do teatro e da música, estudantes, professores – puderam vivenciar um pouco da proposta trazida por Tadashi. Baixando a ansiedade ou talvez contrariando as expectativas de alguns, Tadashi deixou claro no acordo inicial que a ideia não era ensinar Butoh, até porque ninguém se preocupou em sistematizar uma técnica para isto, mas compartilhar suas experiências com esta arte, criando possibilidades de conexões com tantas outras possíveis e reunidas ali.

 

Este estilo de dançar (o Butoh) foi proposto inicialmente por Tatsumi Hijikata (1928-1986) no final da década de 1950, no contexto do Japão pós-Segunda Guerra. Para Hijikata, a princípio, todo corpo pode dançar Butoh, mesmo que não seja o Butoh japonês, mas é possível que todos encontrem seus próprios movimentos no sentido do Butoh.

 

Tadashi nos contou que, certa vez, quando perguntado sobre o que era Butoh, Hijikata respondeu que é um misto de violência e Eros, o desejo e a tensão como mobilizadores para a cena. Na mitologia grega, Eros é denominado como o deus do amor e do desejo, o mais belo dos imortais. Numa das versões ele figura como filho de Poro (Expediente) e Pínia (Pobreza), daí a ideia da busca inconstante e a perpétua insatisfação no amor. Sua imagem é representada por um menino ou um belo jovem, às vezes alado, que feria os corações dos humanos com suas flechas, fazendo-os se apaixonar perdidamente.

 

Já o conceito de violência geralmente aparece relacionado à noção de agressão física ou moral, num ato de extrema crueldade ou coação. Contudo, este conceito é muito mais amplo e ambíguo do que a mera constatação de que a violência é a imposição de dor, mesmo porque a dor é outro conceito não menos difícil de ser definido. É, portanto, do tensionamento entre estas possibilidades de encontro (amor-desejo e violência) que se estabelece a dança Butoh.

 

Outro importante precursor desta forma de dançar foi Kazuo Ohno, morto em 2010, aos 103 anos de idade, e reconhecido pela expressividade forte e marcante de suas apresentações, como podemos ver em My Mother e Deade Sea. A sua vida foi a própria matéria para as danças de Ohno. Tadashi conheceu Kazuo Ohno em 1989, na ocasião de um curso para o qual ele foi aceito sem nem mesmo saber que tinha sido inscrito. Um presente um tanto inusitado de sua companheira. Ao se deparar com a situação, mesmo não se interessando de partida pela dança, se viu motivado a aproveitar aquela ocasião impar que viria mudar sua trajetória artística. Desde então, Tadashi vem trabalhando sistematicamente com o Butoh e um pouco disso pode ser vivenciado neste encontro. Para ele, o Butoh começa fora do palco, na sua vida, nas suas origens, do local de onde você vem. Mas, ao mesmo tempo Tadashi pondera que “o Butoh é uma dança e não uma meditação!"

 

Na construção de sua trajetória, Tadashi vem trabalhando com o que ele chama de Butoh-MA. MA que, no budismo zen, possui dois significados: o “vazio”, e “o espaço entre as coisas” que, dialogando com as propostas de Ohno e Hijikata, é o caminho para tornar visível o invisível. Durante o curso, Tadashi insistiu bastante em exercícios que partiam de um número mínimo de movimentos, mas que permitiam a expressão de sentimentos e situações que iam crescendo em intensidade. Na proposta do Butoh-MA, é mais importante manter o equilíbrio entre a tensão e o controle de energia do que focar na estética dos movimentos. Daí a ideia do grotesco tão presente na cena Butoh.

 

Memória e sentimento reverberam na proposta de Tadashi. Para ele, o Butoh possibilita você a trabalhar com todos os seus corpos; uma espécie de patrimônio da existência, mas que não deve se congelar no tempo, e sim criar conexões com o aqui e agora, girando fluentemente como um cata vento.

 

Provocando a geração de desconforto como princípio compositivo de suas obras, Tadashi defende a importância da mobilização pelo desejo. “Todo mundo se move em função de algum desejo.” A proposta dele é dançar isto. “Se você sabe o que quer e aonde quer chegar, você tem a sua dança.” Tadashi mencionou que nos seus estudos sobre Hijikata encontrou uma frase dita por ele que resume um pouco essa idéia: “se você está feliz, você não precisa dançar”.

 

Nos muitos momentos de conversa entre um experimento e outro, Tadashi compartilhou também seu entendimento da relação entre vida e morte, tão presente nos trabalhos de Butoh e que reflete um pouco da filosofia oriental. Tadashi acredita que nascemos e temos a morte dentro de nós e é possível observar isto em nosso dia a dia, na transformação de nossas células, tecidos e ossos. O útero materno aparece em seu discurso como a nossa primeira morada e é deste lugar que vivemos a experiência da primeira morte, ao mesmo tempo em que assumimos a vida como condição provisória. Nesta perspectiva, vida e morte são inseparáveis enquanto princípio de existência. Para viver, suportar a morte.

 

Alexandre Molina é profissional da dança, doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia (PPGAC/UFBA), mestre e especialista em dança pelo Programa de Pós-Graduação em Dança da mesma instituição (PPG-Dança/UFBA), integrante do Coletivo Construções Compartilhadas e Diretor de Dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia - FUNCEB.

 

***Foto: João Meirelles