VILA 40 ANOS
A data comemorativa impulsionou a concentração de esforços dos artistas residentes na criação de montagens, captação de recursos e pesquisa para um resgate histórico do Vila e do Brasil ao longo destas quatro décadas marcadas por grandes mudanças sociais, políticas e econômicas no país. O levantamento dos fatos históricos foi possível graças à organização dos documentos arquivados ao longo dos anos de funcionamento do teatro. Em 31 de julho, a estréia de Auto-retrato aos 40, com 77 artistas em cena, realizado por membros de todos os grupos residentes e artistas independentes que se afinam com a proposta do Vila, com apoio da FUNCEB e da Braskem, relembrou o nascimento de um dos primeiros teatros da Bahia e sua trajetória até hoje. O espetáculo trouxe visibilidade ao teatro, chamando atenção da mídia, de autoridades e do público para os fatos que marcaram a existência do Vila e, conseqüentemente, proporcionou a assinatura de novos convênios para sua manutenção. Além de Auto-retrato aos 40, as montagens Primeiro de Abril (Vilavox) e Alices e Camaleões (Cia. Novos Novos) também tiveram como tema e inspiração o período histórico deflagrado, no Brasil, pelos acontecimentos de 1964. Por fim, o encerramento da programação do Vila aconteceu com um concerto especial que o pianista Ricardo Castro, também completando 40 anos de vida, decidiu oferecer como um presente ao teatro. O caráter festivo tomou conta da programação de 2004, reforçando aquilo que historicamente é a marca do Teatro Vila Velha: a manutenção baseada num direcionamento artístico consistente, graças ao empenho dos grupos que ocupam e cuidam do teatro. TEATRO E DANÇA As linguagens mais presentes na programação do Teatro Vila Velha tiveram um ano marcado pelos grupos residentes e apresentações de grupos visitantes e apoiados. Os grupos residentes (Bando de Teatro Olodum, Companhia Teatro dos Novos, Companhia Novos Novos, Viladança e Vilavox) além de se empenharem na realização coletiva do Auto-retrato aos 40, estiveram em cartaz com seus repertórios e trabalharam na produção de suas próprias estréias. Em 2004, o Vila foi berço de seis produções inéditas de médio e grande porte, além dos dez espetáculos do projeto O que Cabe Neste Palco. Outro fato marcante foi a reorganização da Companhia Teatro dos Novos, outro grupo residente, mas de característica “flutuante”. Depois de trabalharem em Auto-retrato..., os atores do grupo se juntaram ao Vilavox em Primeiro de Abril e seguiram trabalhando juntos no planejamento de um programa para 2005. MÚSICA
Com uma trajetória intimamente associada à música desde sua inauguração, o Teatro Vila Velha vem mantendo, ainda que de maneira irregular, uma programação com atrações de diversos gêneros, abrindo o palco para a MPB, o rock, a música erudita e estilos miscigenados. Pelo quinto ano consecutivo,
o projeto Roda de Choro, coordenado por Juvino Alves e Elisa Goritzki,
deu o tom aos finais de tarde de quarta-feira no Cabaré dos Novos.
Com improvisações e convidados especiais, o evento semanal
continua reunindo músicos de diversas gerações e
uma platéia igualmente variada. O final do ano, foi
marcado por dois grandes acontecimentos: o show Vila Rock Velho e o concerto
Músicos Andarilhos. O primeiro, com Guizzzmo e Ronei Jorge e os
Ladrões de Bicicleta marcou a volta do rock ao palco do Vila, serviu
para a gravação de material digital que pode virar um dvd
das duas bandas. O concerto, por sua vez, encerrou as atividades do teatro
em 2004, reunindo o erudito e o popular numa apresentação
performática com os pianistas Ricardo Castro e Maria João
Pires, a cantora Jussara Silveira, o saxofonista Rowney Scott, direção
de Marcio Meirelles, texto de Cacilda Povoas e participação
da atriz Chica Carelli.
O Teatro Vila Velha vem se dedicando à formação de platéia e 2004 foi um ano bastante marcado por essa linha de trabalho. Além de fazer pacotes com preço do ingresso diferenciado para grupos comunitários, o Vila - com patrocínio da Petrobras, através da Lei Rouanet, Vivo, através do Fazcultura, e Fundação Cultural do Estado da Bahia -promoveu uma troca artística com o público de baixa renda, adotando uma política contrária à distribuição aleatória e indiscriminada de convites para os espetáculos. Através do projeto Tomaladacá, uma cota de ingressos pagos pelos patrocinadores é trocada por trabalhos artísticos, como textos, desenhos, colagens, poemas, etc., trazidos pelo público indicado pelos grupos comunitários ligados ao teatro. Assim, além de terem acesso ao teatro, essas pessoas expressam sua compreensão sobre a arte e são estimuladas a fazer uma reflexão sobre o valor do trabalho artístico. Seguindo este mesmo princípio, a Cia. Viladança montou o espetáculo infanto-juvenil Da Ponta da Língua à Ponta do Pé, que apresenta uma introdução à história da Dança num musical de caráter didático. O espetáculo deu início a um projeto que propõe uma aproximação com a linguagen da Dança, afim de torná-la mais acessível e, conseqüentemente, mais atrativa para o grande público. Em sua primeira temporada, a montagem foi assistida por mais de mil pessoas que vieram ao Vila através do Tomaladacá. FORMAÇÃO ARTÍSTICA
As oficinas desenvolvidas pelo Vila durante o Verão, mais uma vez, tiveram grande procura. Em 2004, foi incluído na grade um exclusivo curso de vídeo ministrado pela videomaker Amaranta César. Cerca de 200 pessoas participaram das oficinas de teatro, música, dança e outras técnicas. Além das oficinas abertas ao público, os artistas que fazem parte dos grupos residentes do Vila participaram de aulas e workshops ministrados por especialistas em diversas linguagens. Para cada novo espetáculo, os grupos investiram no trabalho com outros profissionais (músicos, dançarinos, artistas circenses, etc.), tendo como objetivo o aprimoramento e desenvolvimento plural dos artistas. Os dançarinos do Viladança, além das aulas de técnica corporal que já fazem parte da rotina de ensaios, participaram de oficinas de teatro e música para atuarem no musical infanto-juvenil Da Ponta da Língua à Ponta do Pé. Em função da montagem Primeiro de Abril, o Vilavox também se empenhou na pesquisa sobre o período da ditadura militar participando de seminários sobre o assunto. Os atores também tiveram aulas de capoeira, canto, leitura e teatro. A Cia Novos Novos, através das oficinas voltadas para o público infanto-juvenil, incluiu mais 12 crianças em seu elenco. Todo o grupo, no processo de montagem do novo espetáculo (Alices e Camaleões), passou por aulas de circo, preparação corporal e dança afro, entre outras. O Bando de Teatro
Olodum também segue investindo no aperfeiçoamento de seus
atores com oficinas de música, com Jarbas Bittencourt, e de encenação,
que serviram para a re-montagem de Essa é nossa praia. Além
disso, realizaram seminários e contatos com artistas africanos
para um futuro intercâmbio e estão trabalhando com o apoio
da Fundação Palmares (Ministério da Cultura) para
consolidação do grupo. NOVOS ARTISTAS Mais uma vez, o projeto O Que Cabe Neste Palco deu espaço para grupos artísticos de origens diversas, que tiveram a oportunidade de dar largada à primeira temporada de suas montagens no palco do Cabaré dos Novos, com todo o apoio técnico da equipe do Teatro Vila Velha e participação dos artistas em todo o processo de produção do espetáculo. Esse ano, foram encenados dez espetáculos, num total de 72 apresentações. Esse ano, o Vila apoiou também o lançamento do grupo A Outra Companhia de Teatro, que contou com amparo técnico e artístico para levantar sua primeira montagem, Arlequim Servidor de Dois Patrões. INTERCÂMBIO COM O INTERIOR
Pelo terceiro ano,
o Vila promoveu o intercâmbio artístico com grupos do interior
baiano com a realização de oficinas e apresentações
através do projeto Teatro de Cabo a Rabo. Nas primeiras etapas
do projeto, os artistas do Vila entraram em contato com os grupos artísticos
do interior, onde promoveram oficinas e fizeram apresentações
do espetáculo Oxente, Cordel de Novo? Mais de 2 mil pessoas foram
alcançadas pelo projeto, que este ano passou pelas cidades de Alagoinhas,
Madre de Deus, São Félix e Valença. POLÍTICAS CULTURAIS Apostando no diálogo para melhorar as condições de trabalho em benefício da cultura baiana, o Vila colocou-se como um espaço para o encontro entre a classe artística e os representantes do governo para o debate sobre políticas culturais. Assim, no mês de dezembro, o teatro foi aberto para a realização dos debates preliminares sobre a Câmara Setorial de Teatro. O Vila foi eleito pela FUNARTE (Fundação Nacional de Arte) como um pólo de informações e representatividade do órgão no processo de criação e para o funcionamento da Câmara Setorial de Teatro na Bahia. No mesmo mês,
o Vila abrigou o Fórum de Idéias da Classe Artística,
uma reunião com palestras sobre direito sindical que servirá
para nortear a reestruturação do SATED. A iniciativa partiu
de um grupo de artistas e o teatro cedeu o Cabaré dos Novos para
a realização de mesas-redondas e discussões. Antes que o ano terminasse, por uma iniciativa do Viladança e motivados pela criação da Câmara Setorial de Dança, o Vila recebeu grupos de dança independentes, reunidos para discutir suas demandas e organizar uma mostra para 2005. PATROCÍNIOS E APOIADORES Com as comemorações em torno do aniversário do Vila e pelo trabalho desenvolvido pelo teatro por todos esses anos, algumas empresas e órgãos públicos mostraram-se sensíveis, contribuindo para sua manutenção e realização de seus projetos. Este ano, a Fundação
Cultural do Estado da Bahia reafirmou o compromisso que vem mantendo há
nove anos com o Vila. Da mesma maneira, a telefônica VIVO renovou
o convênio que, pelo terceiro ano consecutivo, é responsável
por cobrir uma parcela dos gastos básicos de funcionamento do teatro. Além dessas empresas que entraram com recursos para cobrir os custos de funcionamento da casa, o Vila também conta com o apoio dos Amigos do Vila, empresas que contribuem com produtos e prestação de serviços para a infra-estrutura, para os artistas e funcionários. Os Amigos do Vila são: IRPOS, Isoterm, Restaurante Saúde Brasil, COT, Signsnow, Nova Brasil FM e Aluguemais. Este ano, alguns grupos
também conseguiram captar recursos para seus projetos. O Viladança,
que conta com o apoio da Fundação Cultural do Estado da
Bahia para sua manutenção, levantou junto aos Correios o
financiamento de sua Turnê Nordeste, que levará dois espetáculos
de seu repertório aos estados de Sergipe e Alagoas no ano que vem.
Já o Bando de Teatro Olodum, grupo de reconhecida atuação
no movimento negro, recebeu o apoio da Fundação Palmares
para sua consolidação. |
2004 Retrospectiva
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