Da Ponta da Língua à Ponta do Pé

Viladança (Salvador - BA)

Da Ponta da Língua à Ponta do Pé é o primeiro espetáculo da companhia Viladança direcionado ao público infanto-juvenil. Nesta montagem, um dos mais atuantes grupos de dança contemporânea na Bahia faz uma investida na linguagem teatral para contar um pouco da história da Dança a crianças e adolescentes. Em cena, Zé faz de tudo para conquistar o amor de Isadora, uma garota de sua escola que é muito independente, culta e... dançarina. Entre seus desafios, Zé precisa aprender mais sobre a paixão de sua amada e vencer algumas barreiras para entrar no universo da Arte.

O espetáculo é resultado de uma pesquisa que vem sendo desenvolvida desde 2002 pela diretora e coreógrafa Cristina Castro, cujo trabalho com o grupo Viladança vem sendo marcado, entre outras coisas, pelo cuidado com a formação de platéia. A idéia para uma montagem de caráter lúdico e didático surgiu a partir da noção de que o público jovem tem pouco acesso e conhecimento sobre a Dança enquanto arte e atividade profissional. Além disso, Cristina detectou uma lacuna de produções deste tipo de linguagem direcionadas ao público infanto-juvenil.

Da Ponta da Língua à Ponta do Pé , foi criado com participação ativa do elenco do Viladança, que contribuiu na elaboração das coreografias e também investiu no desenvolvimento de sua expressividade teatral. Nesta montagem, mesmo trazendo muitas coreografias e uma movimentação que é fruto da preparação corporal para a dança, o que o grupo está fazendo mesmo é Teatro. O texto da peça é uma construção coletiva da pedagoga Lúcia Matos, do dramaturgo João Sanches e da própria Cristina Castro, que conta também com a colaboração de seu elenco.

Os autores mergulharam numa pesquisa pela história da Dança no Ocidente para elaborar um texto capaz de mostrar alguns dos principais acontecimentos responsáveis pelo desenvolvimento da linguagem, além de fomentar a curiosidade do público jovem para esta forma de arte. Assim, a idéia é que a peça seja um objeto introdutório, para gerar discussões esclarecedoras sobre o atual cenário da dança, principalmente no Brasil. A forma encontrada para que estas noções atinjam às crianças e adolescentes que assistem à montagem é a historinha de amor entre Zé e Isadora, que serve de pano de fundo para a recapitulação desde a pré-história da Dança até hoje.

Neste desafio, o Viladança conta ainda com uma equipe de peso, com alguns dos principais nomes das artes cênicas da Bahia mobilizados para tornar o texto do espetáculo ainda mais atrativo e acessível. A música, composta por Jarbas Bittencourt especialmente para este espetáculo, reforça e complementa o que está sendo dito em cena, contribuindo também para a identificação com o público, pois passeia por estilos bastante atuais e que se afinam com a preferência dos jovens. O visual de Da Ponta da Língua à Ponta do Pé é outro de seus pontos fortes, ficando a cargo de nomes como Marcio Meirelles (figurino), Zuarte Júnior (cenário), e Fábio Espírito Santo (iluminação).

Pela sua importância cultural enquanto estratégia de formação de platéia entre o público jovem, o espetáculo recebeu o reconhecimento da UNESCO por dois anos consecutivos. Da Ponta da Língua à Ponta do Pé já foi assistida por mais de 20 mil pessoas em diversas cidades do Nordeste, incluindo professores e alunos do ensino público. Em 2006, o espetáculo foi levado a onze municípios do interior baiano, juntamente com oficinas artísticas, num projeto intitulado Viladança Rodando a Bahia, patrocinado pela CHESF.

Ficha Técnica

Direção : Cristina Castro
Texto : Cristina Castro, João Sanches e Lúcia Matos
Direção Musical: Jarbas Bittencourt
Coreografias : Cia. Viladança
Iluminação : Fábio Espírito Santo
Figurino : Marcio Meirelles
Adereços : Zuarte Junior e Luis Santana
Elenco : Janahiana Santos, Jairson Bispo, Leandro de Oliveira, Sérgio Diaz, Mariana Morais, Maitê Soares, João Rafael Neto
Produção : Cia. Viladança

A Companhia Viladança

A Cia. Viladança foi criada em abril de 1998 pela coreógrafa Cristina Castro e é um dos grupos residentes do Teatro Vila Velha. Tendo como proposta a comunhão entre diversas linguagens artísticas e a verificação da dinâmica cultural em uma perspectiva contemporânea, o grupo prepara e recicla seus dançarinos em técnicas que vão do contemporâneo ao ballet clássico, passando por danças regionais, canto, teatro, atletismo, rapell e percussão.

Além da diversidade técnica e estética, o trabalho do Viladança também envolve ações de cunho político e social, como projetos de interação com comunidades, escolas públicas e particulares, que promovem a formação de platéia.

No seu quinto ano de existência, a Companhia Viladança iniciou a sua carreira internacional apresentando-se no Festival Brasil Move Berlim. No mesmo ano, através de intercâmbio cultural entre o Goethe Institut, Teatro Vila Velha e o Teatro Bughof Lörrach, produziu o espetáculo Caçadores de Cabeças - Headhunters, uma parceria inédita entre as diretoras Cristina Castro e Helena Waldmann (Alemanha).

Com 10 espetáculos no repertório e mais de 400 apresentações, a Companhia Viladança já conta com o reconhecimento da classe artística nacional e internacional. Logo em seu ano de estréia, a companhia recebeu da FUNARTE Fundação Nacional das Artes, o Troféu Mambembe como Companhia Revelação. A partir daí, foi laureada em diversos editais de incentivo à dança e mais recentemente conquistou o reconhecimento da UNESCO através do Prêmio Unesco de Fomento das Artes, pela sua criatividade e desempenho técnico.

Em 2004, a companhia estreou o musical infanto-juvenil Da Ponta da Língua à Ponta do Pé, abrindo um programa de formação de platéia para as artes cênicas totalmente voltado para crianças e adolescentes. Até 2006, a peça já fora assistida por 20.160 pessoas em três estados e mais de 10 cidades do interior da Bahia, além de ter recebido por dois anos consecutivos o reconhecimento da UNESCO através do selo da IFPC.

No ano de 2006, a Companhia estreou a sua 10° montagem, Aroeira com quantos nós se faz uma árvore. O espetáculo contou com música do cantor Milton Nascimento, que, dois anos antes, havia presenteado Cristina Castro com uma trilha chamada Cores e Vozes, feita há de 15 anos e até então jamais divulgada. Para realizar a nova coreografia, o Viladança contou com um prêmio, o Funarte/Petrobras de Fomento à Dança.

Ainda em 2006, a Companhia recebeu o convite do SESC para circular por 11 estados brasileiros apresentando três espetáculos do seu repertório Sagração da Vida Toda, José Ulisses da Silva e Da Ponta da Língua à Ponta do Pé. Foi o primeiro grupo de dança baiano a se apresentar nas capitais do Amapá e de Roraima. No mesmo ano, realizou uma turnê por 11 cidades do interior da Bahia levando gratuitamente oficinas de arte (fotografia, origami, dança e teatro) e o espetáculo Da Ponta da Língua à Ponta do Pé, num projeto com o patrocínio da CHESF (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco).

Contato: Leandro Oliveira (71) 3336-1384

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